Cerca de 220 operários que estão trabalhando, em Itabuna, no Projeto Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, fizeram um protesto nesta segunda-feira, 8, para denunciar que a empresa EMA Construtora não paga seus salários, há pouco mais de um mês. Os trabalhadores, já haviam protestado contra o atraso dos salários sexta feira, ontem paralisaram a obra.
A EMA faz um trabalho terceirizado para a FM Construtora, que ganhou a licitação para construir, no prazo de um ano e meio, 496 unidades do programa federal na cidade. Muitos trabalhadores foram recrutados em outras cidades, e se queixam que estão passando fome e sob ameaça de despejo do quarto em que moram, porque não pagaram o aluguel. Ainda segundo os trabalhadores, parte deles recebeu os salários com muitos descontos, no final de semana.
Um grupo de 20 deveria ter recebido no domingo, 7, mas a FM Construtora, que está tentando solucionar a questão, prometeu pagar nesta terça. Se não receberam, eles ameaçam reagir. Os trabalhadores se queixam também de que não teriam a carteira assinada e que estariam trabalhando sem alguns equipamentos de segurança, como luvas.
“Fomos atraídos por emprego com carteira assinada, alojamento e alimentação, e o que empresa dá é uma quentinha ruim, onde já encontramos mosca, cabelo e até uma agulha espetada em um pedaço de frango”, disse Elinaldo de Oliveira.
O pedreiro Valter Pereira, ferido por um bloco que caiu em seu joelho direito, na ultimo domingo, pediu R$ 2 para não voltar para casa a pé. “Eles sequer fizeram exame, só depois que a gente já estava trabalhando, diz Elinário Silva Oliveira. Ele disse que não está bem de saúde, tem pressão alta e só está esperando receber para pagar as dívidas e voltar para Belmonte, onde mora sua família.
João de Jesus veio de Castro Alves e está em Itabuna sem dinheiro, sem família e sem ter onde ficar. Ele também quer voltar para sua cidade, mas está esperando a carteira de trabalho, que a empresa está retendo, mesmo sem tê-lo registrado como trabalhador.
Calote – Engenheiros da FM Construtora afirmaram que a EMA sinalizou que ia passar o calote nos trabalhadores e a FM, responsável pela obra, tentou resolver a questão, pagando os salários de cerca de 220 trabalhadores apresentados pela empresa, após o primeiro protesto, na última sexta-feira. Hoje e empresa teria sido surpreendida, com o novo protesto de um pessoal que não constava da relação de empregados da EMA.
A gerente de contratos da FM, Selma Lopes, suspeita de que esses trabalhadores possam ter sido colocados na obra, por fora, burlando a lei. A engenheira afirmou que, ao todo são mais de 800 trabalhadores e os diretores da FM estão fazendo uma investigação, para acertar todas as pendências e evitar novos protestos, para que não haja atrasos no cronograma de entrega da obra. As informações são do A Tarde.