Publicada em 08/03/2010 Share
Trabalhadores de Itabuna protestam contra atraso de salários


Cerca de 220 operários que estão trabalhando, em Itabuna, no Projeto Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, fizeram um protesto nesta segunda-feira, 8, para denunciar que a empresa EMA Construtora não paga seus salários, há pouco mais de um mês. Os trabalhadores, já haviam protestado contra o atraso dos salários sexta feira, ontem paralisaram a obra.

A EMA faz um trabalho terceirizado para a FM Construtora, que ganhou a licitação para construir, no prazo de um ano e meio, 496 unidades do programa federal na cidade. Muitos trabalhadores foram recrutados em outras cidades, e se queixam que estão passando fome e sob ameaça de despejo do quarto em que moram, porque não pagaram o aluguel. Ainda segundo os trabalhadores, parte deles recebeu os salários com muitos descontos, no final de semana.

 

Um grupo de 20 deveria ter recebido no domingo, 7, mas a FM Construtora, que está tentando solucionar a questão, prometeu pagar nesta terça. Se não receberam, eles ameaçam reagir. Os trabalhadores se queixam também de que não teriam a carteira assinada e que estariam trabalhando sem alguns equipamentos de segurança, como luvas.

“Fomos atraídos por emprego com carteira assinada, alojamento e alimentação, e o que empresa dá é uma quentinha ruim, onde já encontramos mosca, cabelo e até uma agulha espetada em um pedaço de frango”, disse Elinaldo de Oliveira.

O pedreiro Valter Pereira, ferido por um bloco que caiu em seu joelho direito, na ultimo domingo, pediu R$ 2 para não voltar para casa a pé. “Eles sequer fizeram exame, só depois que a gente já estava trabalhando, diz Elinário Silva Oliveira. Ele disse que não está bem de saúde, tem pressão alta e só está esperando receber para pagar as dívidas e voltar para Belmonte, onde mora sua família.

João de Jesus veio de Castro Alves e está em Itabuna sem dinheiro, sem família e sem ter onde ficar. Ele também quer voltar para sua cidade, mas está esperando a carteira de trabalho, que a empresa está retendo, mesmo sem tê-lo registrado como trabalhador.

Calote – Engenheiros da FM Construtora afirmaram que a EMA sinalizou que ia passar o calote nos trabalhadores e a FM, responsável pela obra, tentou resolver a questão, pagando os salários de cerca de 220 trabalhadores apresentados pela empresa, após o primeiro protesto, na última sexta-feira. Hoje e empresa teria sido surpreendida, com o novo protesto de um pessoal que não constava da relação de empregados da EMA.

A gerente de contratos da FM, Selma Lopes, suspeita de que esses trabalhadores possam ter sido colocados na obra, por fora, burlando a lei. A engenheira afirmou que, ao todo são mais de 800 trabalhadores e os diretores da FM estão fazendo uma investigação, para acertar todas as pendências e evitar novos protestos, para que não haja atrasos no cronograma de entrega da obra. As informações são do A Tarde.

Autor: Além da Notícia