Dois polos de riquezas econômicas nas margens da Baía de Todos-os-Santos são considerados nocivos por soteropolitanos da Ilha de Maré. O Ponto de Aratu – que responde por 60% da carga movimentada em transporte marítimo da Bahia –, segundo o líder comunitário Ernandes Carlos Lopes, é responsável por constantes vazamentos de produtos químicos no mar. Para ele, o pescado e os moradores são os principais prejudicados com a poluição causada pelo porto.
“Se tornou comum pessoas da ilha morrerem de câncer devido à poluição. Isso ocorre porque nós comemos o peixe contaminado com os produtos lançados pelos navios que param no porto”, reclama ele, dizendo que, apesar do problema, o governo só quer ampliar as atividades do porto “que só nos traz malefício”. A Companhia das Docas da Bahia (Codeba) nega a existência de vazamento de produtos químicos.
Não bastasse o problema com os produtos químicos, os moradores, principalmente de Botelho, Bananeira e Porto dos Cavalos, terão um novo desafio pela frente: a dragagem de aprofundamento do canal do porto. Medida considerada necessária pela Codeba e vista pelos nativos como fonte de prejuízos para a fauna marítima, principal fonte de renda e sobrevivência para quem mora na ilha.
José Rebouças, diretor-presidente da Codeba, por e-mail, destacou que a dragagem – a ser feita de abril a agosto –, “visa dotar o porto de condições adequadas à navegabilidade” e que medidas serão adotadas para minimizar os impactos ambientais. A dragagem, de acordo com o órgão, foi aprovado em 15 de agosto de 2008, pelo Instituto do Meio Ambiente, antigo Centro de Recursos Ambientais (Processo CRA nº. 2008-002054/TEC/AA–0043).
Duas das ações para controle dos impactos à natureza, conforme aponta o diretor-presidente, serão o “monitoramento da qualidade das águas e do sedimento na área de dragagem; e a observação quanto à ocorrência de mortandade de peixes”.
Fumaça nociva - Outra indústria responsável pela poluição, segundo a moradora Patrícia Cerqueira, é a Refinaria Landulpho Alves, pertencente à Petrobras. A emissão de gases tóxicos na refinagem de petróleo é apontada como responsável por doenças respiratórias. “A fumaça invade as casas e nos deixa sem poder respirar direito. As crianças são as mais prejudicadas”, denuncia Patrícia, moradora de Porto de Cavalo, área mais afetada pela fumaça da refinaria.
A Petrobras, por meio da assessoria, informou que “não tem registro de nenhuma emissão de gás tóxico na região e que todos seus processos estão funcionando de acordo com o que é permitido pelos órgãos ambientais”.
Com base em denúncia feita por moradores sobre a poluição na ilha, o Ministério Público instaurou um inquérito civil. A ação, além dos relatos dos nativos, toma como referência um estudo da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia de 2007, que constatou a contaminação do pescado e de algumas crianças da ilha por chumbo e cádmio. A reportagem de A TARDE tentou falar com a promotora de Justiça Cristina Seixas Graça, encarregada da ação, mas ela informou, por meio da assessoria do MP, que nesta semana estaria adotando medidas sobre o problema na ilha e que conversaria com a reportagem somente nesta terça (9). Ela não divulgou quais ações estavam sendo adotadas. As informações são do A Tarde.